Esta pergunta ecoa silenciosamente em muitos processos terapêuticos. Por vezes, chega subtil, sob a forma de angústia, de sintomatologia ou de repetições de sofrimento. Outras vezes, surge com clareza, como um desejo: o de viver uma vida que nos pertença verdadeiramente.
Desde muito cedo, aprendemos a ser a partir do olhar do outro; a partir do olhar dos pais, cuidadores de referência, professores, sociedade. Interiorizamos gestos, modos de estar, formas de amar e de responder ao mundo que, sem nos darmos conta, passam a fazer parte da nossa identidade, da nossa matriz relacional e emocional.
A psicoterapia convida-nos a escutar o que escapa a estas heranças emocionais. A questionar o que nos foi deixado, não com o intuito de o rejeitar, mas de o reinscrever à luz da nossa própria essência. É neste processo que encontramos a nossa singularidade.
A pergunta “Quem sou eu?” não espera uma resposta definitiva. Espera, sim, a coragem de habitar a questão, de permitir que se abra espaço para descobertas, deslocações e reconfigurações. E, talvez assim, encontrar um modo mais autêntico de ser — para além do que nos ensinaram a ser.
Caminhamos juntos?

