Nem sempre sabemos por que reagimos com tanta intensidade a algo aparentemente pequeno ou insignificante. Um olhar, uma palavra, um gesto e o corpo dispara, a mente confunde-se, o peito aperta. Nestes momentos, algo do passado é reactivado no presente: é disso que falamos quando falamos dos “famosos” gatilhos emocionais.

Os gatilhos não são apenas “sensibilidades”; são marcas psíquicas, muitas vezes inconscientes, que remetem a vivências anteriores de dor, abandono, vergonha, humilhação ou medo. São vestígios emocionais que se tornam activos perante estímulos que os fazem ressoar.

Como identificá-los?

Reconhecer os seus gatilhos exige escuta:

– Quais as situações que me fazem reagir com desproporção?

– Que sentimentos surgem subitamente: raiva, tristeza, angústia, desamparo?

– O que estas emoções parecem repetir ou representar?

Este processo não é apenas introspectivo, também é relacional. Muitas vezes, os gatilhos manifestam-se nas relações mais próximas, onde há afecto e vulnerabilidade.

Como é que a psicoterapia pode ajudar?

O trabalho terapêutico ajuda-nos a fazer um percurso da reacção à elaboração.

Não se trata de “controlar” os gatilhos, mas de compreender de onde vêm, o que dizem sobre nós e que cuidados psíquicos pedem. Quando compreendidos, os gatilhos deixam de comandar e passam a ser escutados, são traduzidos e entendidos.

No Espaço Potencial, criamos tempo e espaço para que cada paciente, com presença e escuta activa, possa reconhecer e elaborar os seus afectos, mesmo os mais difíceis e complexos.

Porque só quando nos escutamos com profundidade podemos transformar a nossa forma de responder ao mundo e de nos relacionarmos connosco e com os outros.

Caminhamos juntos?

Andreia Cavaca

Andreia Cavaca

Directora Clínica Área Psicoterapia, Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta
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