Nem sempre sabemos por que reagimos com tanta intensidade a algo aparentemente pequeno ou insignificante. Um olhar, uma palavra, um gesto e o corpo dispara, a mente confunde-se, o peito aperta. Nestes momentos, algo do passado é reactivado no presente: é disso que falamos quando falamos dos “famosos” gatilhos emocionais.
Os gatilhos não são apenas “sensibilidades”; são marcas psíquicas, muitas vezes inconscientes, que remetem a vivências anteriores de dor, abandono, vergonha, humilhação ou medo. São vestígios emocionais que se tornam activos perante estímulos que os fazem ressoar.
Como identificá-los?
Reconhecer os seus gatilhos exige escuta:
– Quais as situações que me fazem reagir com desproporção?
– Que sentimentos surgem subitamente: raiva, tristeza, angústia, desamparo?
– O que estas emoções parecem repetir ou representar?
Este processo não é apenas introspectivo, também é relacional. Muitas vezes, os gatilhos manifestam-se nas relações mais próximas, onde há afecto e vulnerabilidade.
Como é que a psicoterapia pode ajudar?
O trabalho terapêutico ajuda-nos a fazer um percurso da reacção à elaboração.
Não se trata de “controlar” os gatilhos, mas de compreender de onde vêm, o que dizem sobre nós e que cuidados psíquicos pedem. Quando compreendidos, os gatilhos deixam de comandar e passam a ser escutados, são traduzidos e entendidos.
No Espaço Potencial, criamos tempo e espaço para que cada paciente, com presença e escuta activa, possa reconhecer e elaborar os seus afectos, mesmo os mais difíceis e complexos.
Porque só quando nos escutamos com profundidade podemos transformar a nossa forma de responder ao mundo e de nos relacionarmos connosco e com os outros.
Caminhamos juntos?

