Podemos dizer que a Saúde Mental define-se pela forma como os nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos afectam a vida do dia-a-dia, ou seja, a forma como interagimos connosco próprios e com os outros nos mais variados contextos: pessoal, familiar e profissional. Mas podemos realmente estar “doentes” mentalmente?
Quando partimos uma perna, apanhamos uma pneumonia é-nos imediato qual o passo a seguir e que tipo de tratamento procurar, mas quando a dor em questão não é palpável e, por vezes, nem a conseguimos nomear ou compreender, tudo se torna mais difícil. Surge o sentimento de vergonha em verbalizar um mal-estar cuja a causa não é compreendida, o receio de não sermos compreendidos pelos os outros e sermos catalogados como “malucos”.
A mente humana é extremamente complexa e por vezes não nos é óbvio o porquê de nos sentirmos de determinada maneira, mas com o apoio adequado é possível ir compreendendo, nomeando os sentimentos e desfazendo o emaranhado emocional que por vezes nos bloqueia e nos impede de viver de forma prazeroza o dia-a-dia.
Sentirmos zanga, medo, frustração faz parte da nossa vida e ao compreendermos o porque das nossas mudanças de humor e o que nos leva a sentir de determinada maneira, podemos lidar de forma mais eficaz com momentos mais difíceis do dia-a-dia.
No entanto é importante percebermos que é diferente sentirmo-nos triste porque estamos a reagir a um momento stressante, como divórcio, problemas nas relações com familiares ou amigos, ou sentirmo-nos constantemente e de forma esmagadora sozinhos e desamparados sem razão aparente.
Os sentimentos fazem parta da nossa vida, é através da nossa capacidade de sentir que interagimos com os outros, que aproveitamos o melhor da vida, mas os sentimentos menos agradáveis fazem também parte de nós e é normal sentirmo-nos menos bem de vez em quando, mas quando ficamos bloqueados e impedidos de viver a nossa vida é sinal que devemos procurar apoio, pois vivermos imersos em dor não é nunca um opção, não o é a nível físico e não o deveria ser a nível mental e emocional.
Mas procurar ajuda, ir a um psicólogo é por vezes um passo muito difícil de dar. Surgindo associado a este passo um sentimento de vergonha, “ir a um psicólogo? o que isto diz de mim?” Diz que está preocupado e que procura activamente soluções para melhorar a sua qualidade de vida, a capacidade de estar bem consigo próprio e ser capaz de relacionar-se de forma positiva com os que o rodeiam.
O questionar acerca de nós próprios e o reconhecer que sozinhos não estamos a conseguir lidar com o que estamos a sentir, é por si só uma indicação de saúde mental e um forte indicador para efectuar um acompanhamento psicoterapêutico bem sucedido.