Obesidade: o lado psicológico

Sabemos que a obesidade pode ocorrer por diversos factores: hormonais, genéticos, culturais, sociais e psicológicos. Também é do nosso conhecimento que cada vez mais a obesidade surge como problemática central, tendo o número de pessoas obesas aumentado significativamente nos últimos anos, em Portugal. Neste artigo, iremos abordar a parte psicológica em torno da obesidade, tendo como objectivo alertar e sensibilizar para esta questão cada vez mais presente no nosso quotidiano.
As problemáticas psicológicas podem ser vistas tanto como consequência quer como causa da obesidade. Pessoas que se tornam obesas por problemáticas relacionadas com aspectos biológicos podem apresentar uma maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de perturbações psíquicas como ansiedade e depressão. Podem sentir-se, muitas vezes, incapazes de participar em determinadas actividades e, por tal, tender a isolarem-se. Para além disto, muitas são alvo de discriminações, pelo que é sentido que a única saída é o isolamento. Sozinhas, podem ser inundadas de sentimentos de desvalorização própria, baixa auto-estima e até aversão ao próprio corpo.
A obesidade também pode ser vista tendo como base dificuldades afectivas (e não biológicas) que, em pessoas mais fragilizadas, pode desencadear alterações no comportamento alimentar. Normalmente, as pessoas que estão mais vulneráveis ao desenvolvimento deste comportamento são pessoas ansiosas, depressivas e stressadas, que se sentem sozinhas, rejeitadas, que sofreram de uma perda ou que se encontram em algum conflito emocional. Comer muito e, principalmente, comer alimentos altamente calóricos (tais como os doces) surge como uma compensação destas fragilidades. É, assim, uma tentativa de preencher um vazio emocional que ainda não é possível compreender e nomear. Funciona, numa primeira instância, como um alívio. Mas equivale ao sentimento que se tem com o consumo de drogas: no momento, serve ao efeito pretendido. Porém, quando termina, procura-se mais e mais. Depois, surge a culpa que vai aumentar a baixa auto-estima e os níveis de ansiedade e angústia. A mudança de rotina alimentar, o exercício físico e o acompanhamento médico e nutricional são fundamentais para o combate à obesidade. Porém, se não se contemplar o lado psicológico, pode-se correr o risco das diversas intervenções não surtirem o efeito desejado. Por vezes, pesam mais as emoções do que propriamente o peso do corpo e, por isso mesmo, aconselha-se o início de uma psicoterapia, tendo em conta que esta irá permitir à pessoa que sofre de obesidade compreender o seu comportamento, aprender a desenvolver estratégias para lidar com as suas problemáticas e perceber, do ponto de vista reflexivo, o porquê dos seus conflitos emocionais. Assim, será possível desenvolver uma maior consciência de si próprio, conduzindo a pessoa a uma melhor qualidade de vida e bem-estar emocional. Acima de tudo, pretende-se ajudar a pessoa a aprender a lidar com as suas angústias, para que não sinta necessidade de procurar um refúgio na comida.

Andreia Cavaca

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